A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS TRÊS PORQUINHOS
Talvez fossem irmãos ou primos, não se sabe e não importa. O que realmente importa é que eram três e eram conhecidos por suas diferentes personalidades: O primeiro era tão CDF que antes dos 10 anos já havia decorado a tabela periódica. O segundo não era muito estudioso, passava com a média e tratava-se, portanto, de um medíocre. Já o terceiro largara a escola no primeiro dia de aula, indignado por haver cinco aulas e apenas um recreio. Curtia reggae e passava seus dias numa rede ouvindo Bob Marley.
Um belo dia o CDF chamou os outros dois e deu o alerta: “Meus camaradas porquinhos, um terrível perigo ronda nossos lares: um faminto lobo mau, que adora comer porquinhos! Só há uma saída: construirmos casas para nos proteger. Assim o lobo dará com a cara na porta, literalmente!”
Naquela mesma tarde, os três porquinhos começaram a construir três casas. O porquinho CDF fez uma planta, comprou tijolos, cimento, cal, janelas de alumínio, azulejou a garagem, pôs antena parabólica e portão automático. O medíocre pegou umas madeiras que encontrou na floresta, amarrou com uns arames que sobraram da obra do CDF, pôs umas luzinhas natalinas para dar uma diferenciada e considerou o trabalho acabado. Já o porquinho preguiçoso olhou toda a movimentação, deitado em sua rede na beira do rio, achando tudo muito engraçado. Quando os outros acabavam suas obras, foi até um coqueiral das redondezas, colheu um montão de palha e fez a sua casa, no que chamou “Lagoa Azul Style”. O CDF avisou: “Caro amigo, porquinho preguiçoso, te contentas com pouco agora, preferes o balançar de tua rede ao suar de tua testa, mas a hora do lobo há de vir e o bicho vai pegar, literalmente!” - mas o preguiçoso nem ouviu, porque estava com o walkman ligado.
Muito tempo se passou, o CDF estudando, o medíocre com suas tarefas ordinárias e o preguiçoso curtindo a vida, ouvindo música e comendo muita jabuticaba – a sua rede estava presa entre duas jabuticabeiras – até que o destino preparou uma das suas. Não, meus caros, para surpresa dos porquinhos e inclusive a minha, que jamais imaginei esse final, a desgraça não chegou na forma de um lobo, mas de um terremoto – 8,5 na escala Richter. O solo tremeu por 50 segundos nessa que foi, sem dúvida, a maior desgraça natural na história da literatura infantil. O CDF acabou soterrado, embaixo de todo o concreto destinado a lhe proteger; o medíocre foi eletrocutado pelas luzinhas chinesas e só o preguiçoso sobreviveu, sob a fina camada de palha que caiu sobre seu corpo. Dizem que, apesar da saudade dos amigos, vive feliz para sempre, ouvindo reggae e comendo jabuticabas em sua rede. Ainda mais agora, que ouviu dizer que o lobo foi morto por uns caçadores, logo após engolir uma vovózinha , lá pros lados de Jundiaí.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
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